Ocupação exige mais vagas no Crusp

Jornal do Campus
08/04/2010, 19:45

Ocupação exige mais vagas no Crusp

Movimento ainda reivindica conclusão das obras de novo bloco, fim de expulsões arbitrárias e vigilância sobre os moradores

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Grupo que ocupou a Divisão de Promoção Social da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) da USP defende que as políticas de assistência e permanência estudantil não têm sido cumpridas pelo órgão. A ocupação é formada por estudantes da universidade que moram ou buscam uma vaga no Conjunto Residencial da USP (Crusp).

Segundo o comitê de ocupação, a decisão foi tomada porque a Coseas não atende às reivindicações de moradores do Crusp: aumento de vagas na moradia, agilidade da conclusão de obras de um novo bloco, fim do serviço de vigilância sobre moradores e expulsões arbitrárias feitas pela Coseas.

A ocupação teve início no dia 18 de março, após assembleia da Associação de Moradores do Crusp (AmorCrusp), do dia anterior. De acordo com uma moradora do Crusp, aluna de pós-graduação, na assembleia “alguém sugeriu por acaso a ocupação”, que foi votada pelas pessoas presentes.

Os ocupantes não informam quantos alunos estão dentro do prédio. Segundo a reitoria, há cerca de 25, número que a aluna acredita estar próximo do real, pois ela afirma que na votação da assembléia havia por volta de 29 pessoas e 4 votaram contra a ocupação.

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Interior do prédio ocupado;
no detalhe, documentos de beneficiários
da Coseas preservados pela ocupação
(fotos: Mariana Midori)

Reivindicações

Os ocupantes exigem o aumento de vagas no Crusp, já que as atuais não são suficientes para a quantidade de alunos que necessitam da moradia. Eles também defendem que a Coseas e a reitoria “tomam o espaço dos moradores”. Em carta aberta, citam o exemplo dos blocos K e L, que, a princípio, foram planejados para o Crusp e depois se tornaram prédios da reitoria.

Ana1, moradora do Crusp e aluna de graduação, concorda com a necessidade de mais vagas. Porém, afirma que não apoia a ocupação, pois, entre outros motivos, considera hipócritas os argumentos dos ocupantes. “Muitos dos ocupantes estão em situação irregular no Crusp, segurando vagas de outras pessoas. Como eles podem defender o aumento de vagas com uma atitude dessa?”

A moradora comenta que há vários casos de irregularidades no Crusp, como ex-alunos e famílias inteiras vivendo nos apartamentos. Para João2, um dos ocupantes, “se há moradores em situação dita ‘irregular’ são alunos que estão temporariamente como hóspedes porque não conseguem uma vaga que necessitam”.

O grupo de ocupação também reclama da vigilância constante dos guardas universitários e dos porteiros do Crusp a serviço da Coseas. Jane3, que atua na ocupação, reclama que essa vigilância é constrangedora aos moradores e que pode culminar em retaliações, como a expulsão de moradores “de forma indiscriminada”, ou seja, sem passar pela Comissão de Justiça da Universidade.

Vigilância

Os ocupantes mostraram vários arquivos do Coseas com relatórios feitos por guardas universitários nos quais se registram atividades de moradores, controle de frequência e comunicados de ocorrências. Esses arquivos estão expostos em painel em frente ao prédio ocupado.

Rosa Godoy, coordenadora da Coseas, aparece em vídeo gravado durante uma reunião com membros do AmorCrusp no dia 18 de novembro de 2009. Durante a reunião, Rosa mostra os arquivos divulgados após a ocupação. A coordenadora afirma que ninguém na Coseas mandou que a guarda fizesse os registros. No vídeo, a assessora de Rosa diz que os guardas nunca receberam tal orientação.

Procurada para comentar o assunto, Rosa afirma que não pode fazer qualquer declaração.

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Fachada da Divisão de Promoção Social da Coseas,
no bloco G, tomada há mais de 15 dias;
os ocupantes preferem não se identificar
temendo retaliações (foto: Victor Caputo)

Reintegração de posse

A assessoria jurídica da USP entrou com pedido de reintegração de posse do espaço um dia depois da ocupação. O documento cita a permissão do uso de força policial caso necessário e 22 nomes de pessoas supostamente envolvidas, muitos com apenas o primeiro nome. Contudo, a lista já foi contestada por ocupantes e moradores. Um exemplo é de Kívia Costa, moradora do Crusp. Kívia relatou que seu nome foi listado no documento, mas que em nenhum momento se envolveu com o movimento de ocupação.

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