Boletim do Espaço Retomado nº1

Fonte: Coseas-Ocupada
Data: 16/04/2010
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Boletim do Espaço Retomado nº1

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A ocupação da antiga Divisão de Promoção Social (DPS) se deu por deliberação de assembleia, depois de meses sem resposta da COSEAS para nossas reivindicações, todas tiradas em fóruns cruspianos democráticos, discutidas e deliberadas coletivamente. Somente na primeira semana de aula, 100 pessoas inscritas para o alojamento emergencial ficaram sem perspectiva de um teto, diante do não dado pela Marília Zalaf e Marisa Luppi, representantes deste braço da reitoria, individualmente a cada um desses ingressantes, e coletivamente à AMORCRUSP.

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Alegavam que não havia dinheiro, no entanto não demonstraram nenhum constrangimento em deixar escapar documentos comprovando que pelo menos 70% do pessoal pago com o orçamento da DPS está em função da “segurança”. Qual seria a relação entre segurança, promoção social e permanência estudantil? Hoje sabemos no que consiste essa segurança e para que serve essa verba: bisbilhotice de nossas vidas privadas, dinheiro público gasto com interesses particulares de uma minoria que conduz a burocracia universitária, enquanto os estudantes… Por isso pedimos o fim do serviço de vigilância inconstitucional e mais vagas imediatamente. Pois é de forma imediata que calouros são obrigados a desistir de seus cursos todos os anos.

A COSEAS, negando o atendimento de demandas tão prementes oferecendo respostas evasivas, tornou evidente o caráter do trabalho da DPS ampliando continuamente o serviço de vigilância. Ora, visto que esse órgão é responsável pelos programas de permanência estudantil e constatada sua ineficiência para cumprir tal função, deliberou-se a retomada daquele espaço que originalmente era de moradia e que estava sendo utilizado inadequadamente por um órgão burocrático.

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A postura da universidade foi dura, o silêncio e o processo judicial foram a única resposta. Não pararam de chegar estudantes precisando de vagas. A necessidade decretou que aquele espaço retornaria ao seu sentido inicial: moradia estudantil. Hoje, muitos moradores do espaço retomado o veem como única possibilidade de permanência na universidade. A penúltima assembleia do CRUSP deliberou com o apoio de mais de 120 pessoas que a moradia retomada é autônoma e servirá de experiência e modelo gestionário para os moradores. Portanto cabe a nós cruspianos pensarmos a sua organização em nossos fóruns democráticos. O espaço de debate não é um espaço pronto, mas sim em construção. Já propiciamos debates e assim prosseguiremos com reuniões abertas e acessíveis com o objetivo de construir perspectivas coletivas. Os calouros rejeitados pela COSEAS estão morando no espaço autônomo do bloco G, caso contrário teriam que voltar para suas casas, única alternativa. No dia que se seguiu à assembleia, 5 novos uspianos se inscreveram para a nova moradia. Defendemos, sim, autonomia. Defendemos que esta moradia não se sujeite a um serviço especializado de vigilância. No entanto, o fato deste espaço ser autônomo não implica em nenhum modelo específico de gestão da moradia: não sairemos enfiando pessoas nos apartamentos aleatoriamente! Seria uma contradição nos termos, já que o dicionário Caldas Aulete define a palavra autonomia como: “Capacidade, faculdade ou direito (de indivíduo, grupo, instituição, entidade etc.) de se autogovernar, de tomar suas próprias decisões ou de agir livremente, sem interferência externa (mesmo se organicamente incluído num âmbito maior de soberania)”.

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O movimento de reivindicações cruspianas avança! Não só na construção coletiva de perspectivas para organizações espaciais mas, sobretudo, apresenta uma vitória na queda de uma ditadora que há 14 anos exercia seu micro-poder, brincando de Deus, decretando e assinando atos institucionais, intervindo diretamente em nossa vida íntima, política e acadêmica. Rosa Godoy foi destituída de seu trono, mas seu espírito continua assombrando as almas de alguns cruspianos atordoados por suas políticas aterrorizantes de controle, cooptação e chantagem. Um grupo de amigos favoráveis e favorecidos por tia Rosa, se desesperou e saiu proclamando mentiras, inventando farsas, espalhando boatos. Disseram que os ocupantes estariam planejando impor pessoas aos apartamentos do CRUSP. Mentira!

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A confusão, muitas vezes, é uma arma utilizada na despolitização do debate. Sendo assim, essa minoria favorecida de mentirosos, espalhando cartas sem assinatura e esquivando-se temerosamente de qualquer possibilidade de contraposição de ideias, manobrou a inviabilização do debate na última assembleia de moradores. A proposta mais altissonante era: votar um teto para a assembleia. Queriam que a plenária não fosse um espaço de discussão e deliberação, mas se resumisse numa votação imediata. Como a base de seu “castelo de cartas” era pautada em mentiras, bastou um informe, de 5 minutos, para balançá-lo. Os presentes perceberam que não seria possível realizar qualquer votação sem discutir os problemas reais que foram colocados, tão presentes no dia-a-dia de cada cruspiano. Nós, cruspianos, já passamos por esse processos de entrevistas com assistentes sociais, já tivemos de trazer nossos atestados de miséria absoluta, e com certeza não estamos dispostos a nos rebaixar por um prato de comida ou quaisquer outras migalhas que nos sejam oferecidas em troca de direitos já conquistados por meio de muitas lutas.

Esta retomada e estas reivindicações garantem o mínimo de dignidade aos que sempre foram excluídos desta universidade cujo estatuto propõe-se a formar as elites paulistanas. Não podemos nos furtar a discussões que, há anos, se fazem necessárias. Por isso convidamos a todos os interessados a agregar-se a essa luta, que transcende os muros e portões desta universidade.

Comando de ocupação

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