Resposta ao Comunicado da Coseas sobre a Retomada do Blogo G

Fonte: Coseas-Ocupada
Data: 21/03/2010
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Resposta ao Comunicado da Coseas sobre a Retomada do Blogo G

Os moradores do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo que retomaram pacificamente os três primeiros andares do bloco G do CRUSP vêm a público manifestar seu profundo desagrado e o sentimento de desrespeito sentido após a leitura do Comunicado emitido ontem pela COSEAS.

Este movimento iniciou-se com o término unilateral das negociações, por parte da COSEAS, com a Associação de Moradores do CRUSP (AMORCRUSP), que estavam em andamento.

É importante relembrar, antes de tudo, que os edifícios do CRUSP foram conquistados por um movimento de ocupação realizado por estudantes da universidade no passado. Ao longo do tempo, os três primeiros andares de um dos blocos, o G, passou irregularmente de moradia à administração, local onde hoje trabalham as assistentes sociais.

A decisão pela atual ocupação do espaço foi tomada em uma Assembleia Geral de Moradores e a AMORCRUSP seguiu, junto aos moradores, esta deliberação. Quando da chegada das assistentes sociais ao trabalho, na manhã seguinte à ocupação, comunicamos os motivos de nosso ato e entregamos a elas todos os pertences pessoais que nos foram solicitados.

Informamos a todos os estudantes e funcionários que seus documentos permanecem tal qual estavam antes da ocupação. As salas, inclusive, encontram-se lacradas. O local está organizado, a partir de comissões de moradores que estão cuidando de organização, segurança, limpeza, alimentação, comunicação e cultura.

Gostaríamos de responder a alguns pontos levantados no comunicado da COSEAS:

  • Uma vez que a COSEAS alega ser um órgão executivo e que muitas de nossas reivindicações não seriam de sua competência, exigimos uma reunião aberta com o Sr. Reitor para darmos início ao processo de negociação de nossa pauta.
  • Até a primeira semana de março, cerca de 100 pessoas já haviam sido excluídas do alojamento emergencial por falta de vagas. No entanto, este número de calouros que solicitaram participação no programa de assistência estudantil ainda não expressa a real demanda, já que muitos sequer chegaram a solicitá-los, por conta da insuficiente divulgação por parte da COSEAS, estando estes, assim, à parte das estatísticas citadas. Isso sem contar, ainda, os estudantes que se inscreveram pela internet para vaga permanente: todo ano, cerca de 500 ficam de fora. Quanto aos veteranos, muitos são desestimulados de tentar os apoios, fruto de experiências negativas em anos anteriores. São lamentáveis os casos dos calouros que, após aprovados no vestibular, desistem de seu curso devido à dificuldade financeira de se manter. É urgente um aumento imediato de vagas e uma política concreta e crescente de ampliação anual de vagas.
  • A “Bolsa Trabalho” que existia anteriormente correspondia a um salário mínimo e seu reajuste ocorria com base na variação deste. Já as bolsas “Aprender com Cultura e Extensão” pagam o valor de R$300,00 fixos. Assim, o aumento de 600 “Bolsas Trabalho” para 900 bolsas “Aprender com Cultura e Extensão”, na realidade, configuram uma redução de direitos e não uma ampliação destes, além de substituir a necessária contratação de funcionários públicos por mão-de-obra dos estudantes em serviços não necessariamente ligados à sua atividade acadêmica. Deve existir uma bolsa ao estudante de baixa renda, não atrelada ao rendimento acadêmico, que não exija contrapartida.
  • Muitos moradores do CRUSP se solidarizam a estudantes secundaristas de baixa renda que se utilizam minimamente desse apoio, morando na sala de um apartamento ou na divisão de um quarto com seu colega, para poder estudar e conseguir passar pelo filtro social do vestibular. Isso evidencia a carência de políticas de acesso e a expulsão desses moradores é contraditório ao papel que a assistência social da COSEAS deve cumprir. O morador deve ter autonomia sobre seu espaço, o que passa pelo direito de poder hospedar, por exemplo, estudantes que não conseguiram vaga e, assim, permanecem na condição de hóspede durante todo o período de seu curso.
  • É política consciente e deliberada da COSEAS a prática invasiva por parte dos agentes de segurança. São muitos os fatos e documentos que comprovam casos de invasão de privacidade, perseguição e vigilância da vida pessoal e política dos moradores. Só para citar, há o escandaloso caso do bebê de dois meses que recebeu ordem de despejo por ser morador “irregular”; um relato de ocorrência de uma assembleia de moradores no CRUSP, contendo nome e endereço dos presentes, pauta e resoluções, elaborado para ciência de Rosa Godoy; um relato de troca de namorado de uma moradora, entre muitos outros. Os agentes de segurança deveriam garantir a segurança dos moradores contra perigos externos e não estar a serviço de um sistema de controle do comportamento dos cruspianos.
  • Por que a COSEAS é tão irredutivelmente contra ter moradores na equipe de seleção de novatos ao CRUSP? O atual processo seletivo é completamente realizado pela COSEAS, sem transparência, em ritmo lento (o resultado sai quase no final do semestre dos ingressantes) e com critérios bastante obscuros (“mas você é loira”, ouviu uma candidata a uma vaga) . Cabe citar aqui o exemplo do campus de São Carlos, onde uma comissão mista, composta por quatro estudantes, três funcionários e uma assistente social é responsável pela gestão, entrada e saída de estudantes na moradia. Com base nisto, vimos alertar a comunidade uspiana para o aspecto falacioso, crivado de inverdades (comprovadas por documentos e testemunhos) do “Comunicado da COSEAS sobre a ocupação”, que tenta inverter os fatos a seu favor.

Em defesa do direito à moradia aos que necessitam, em defesa do direito à privacidade dos moradores em seu espaço de moradia fazemos um chamado amplo de apoio a toda a comunidade uspiana para retomarmos o quanto antes nosso espaço e termos nossas reivindicações atendidas.

São Paulo, 21 de março de 2010.
A Ocupação
http://coseasocupada.wikidot.com

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