A Reitoria da USP não está de férias e demite 270 trabalhadores

LER-QI
06/01/2011, 18:00
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A Reitoria da USP não está de férias e demite 270 trabalhadores

Por Diana Assunção e Pablito, diretores do Sintusp e dirigentes da LER-QI

Na quarta-feira, dia 05 de janeiro, mais de 200 trabalhadores reunidos em assembléia protestaram em frente à reitoria da USP contra a demissão em massa dos trabalhadores aposentados. Cerca de 270 companheiros de uma primeira remessa de outros que certamente virão foram demitidos sumariamente quando chegaram aos seus locais de trabalho, o que provocou o desespero e a indignação de centenas de pais e mães de família.

Cientes da tradição de luta dos trabalhadores da USP e do Sintusp a Reitoria e o Governo procuraram implementar as demissões em massa no momento de recesso das atividades da universidade em que muitos dos trabalhadores e dos próprios demitidos ainda encontram-se em férias e em que os estudantes ainda não retomaram as aulas buscando minimizar o poder de resistência a este ataque. Ainda assim, todos os companheiros que estiveram na assembléia e no ato em frente à Reitoria responderam à altura demonstrando que a única saída para a tragédia e o desespero será transformando as lágrimas e o sofrimento em ação politica consciente e unitária dos trabalhadores.

Nas intervenções denunciaram como a demissão em massa que neste momento atinge uma primeira remessa de outras que virão são uma primeira demonstração dos ataques que estão sendo preparados ao conjunto dos trabalhadores da USP e de outras categorias pelos governos de Alckimin e Dilma através dos cortes de gastos já anunciados.

Diretores do Sintusp e ativistas da categoria denunciaram a hiprocrisia e o cinismo da Reitoria, que, procurada por uma comissão composta por demitidos e membros do Sindicato eleitos na assembléia para exigir da Reitoria a reversão das demissões sequer foram atendidos pelo Reitor Rodas que abandonou a universidade em polvorosa com centenas de demissões a queima roupa. Estas medidas, tomadas no apagar das luzes gerou reações até mesmo de diretores de unidade como a diretora da Faculdade de Educação Lisete Arelaro.

Na assembléia, as intervenções desmascararam a ilusão de muitos que acreditam na promessa de que as demissões estariam a serviço de "renovar" os quadros da universidade e contratar novos funcionários já que a demissão sumária é parte da reforma universitária privatista implementada por Rodas que mantém do lado de fora os filhos dos trabalhadores, do povo pobre e negro e ao mesmo tempo financia com estas demissões as pesquisas e a criação de cursos pago a serviço dos lucros dos empresários nacionais e imperialistas.

A implementação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) que precariza as condições de ensino para a maioria e mantém a “excelência para poucos”, a redução de 7% do orçamento destinado ao reajuste salarial dos funcionários da USP logo depois de que a gestão anterior aumentou o orçamento destinado à terceirização em 85% e a criação de cursos de graduação pagos como na FIA (Fundação privada ligada à Faculdade de Economia e Administração) são outros capítulos da enciclopédia neoliberal implementada pela Reitoria da USP.

Participaram do ato representantes dos estudantes que ocupam a moradia retomada do CRUSP que, assim como os diretores e ativistas do Sintusp estão sendo perseguidos através de processos administrativos, inquéritos criminais e a demissão de Brandão por defender um projeto de universidade completamente oposto aos interesses do mercado, ou seja, a serviço dos interesses fundamentais dos trabalhadores e do povo pobre.

O Sintusp se pronunciou decididamente contrário a este bárbaro ataque que atinge o conjunto dos trabalhadores e permite à reitoria avançar em medidas ainda mais duras como a terceirização reunindo e mobilizando os trabalhadores a partir dos seus locais de trabalho, buscando fortalecer a unidade de nossas fileiras e combinando ações jurídicas e todas as medidas possíveis para por de pé uma grande campanha democrática preparando nossas forças para reverter o desemprego e a fome que a Reitoria quer impor a estes companheiros.

Desde já fazemos um chamado aos estudantes, aos professores, parlamentares, aos sindicatos e centrais sindicais como a CSP-Conlutas (que esteve representada na assembléia e no ato por Dirceu Travesso) em primeiro lugar e à Intersindical, mas que estendemos às demais centrais e entidades do movimento sindical a impulsionarmos uma ampla campanha para reverter as demissões sumárias e em massa que são dirigidas contra estes companheiros coordenando as iniciativas de luta aprovadas na assembléia de hoje com outras categorias e outras ações que nos permitam organizar um verdadeiro plano de guerra que crave fundo no peito da Reitoria e do governo a resposta dos trabalhadores: DEMISSÕES, DESEMPREGO E FOME NÃO PASSARÃO!

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