Ocupação da Coseas está ameaçada nas férias

PCO online
30/11/2010, 18:00
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Ocupação da Coseas está ameaçada nas férias

Neste mês de novembro foi aprovada uma liminar de reintegração de posse do prédio retomado como moradia pelos estudantes

Os estudantes retomaram o local que era moradia estudantil e passou a ser administração da universidade em março deste ano. Após cerca de 100 estudantes ficarem sem vagas e não terem nenhuma alternativa para eles, reunidos em assembléia os estudantes decidiram ocupar o local de fazer dali novamente vagas de moradia estudantil.

Além da falta de vagas, a repressão sofrida pelos moradores do CRUSP também estimulou a ocupação. Com a ocupação diversas denúncias foram comprovadas. No prédio foram encontrados documentos que revelaram a Coseas como um aparelho da reitoria para controlar e perseguir o movimento estudantil.

Há vários relatos de moradores que denunciaram casos de humilhação praticados pelas assistentes sociais da Coseas ao entrevistar alunos que pleiteavam uma vaga na moradia. O estudante é submetido a um verdadeiro interrogatório policial. Há relatos em que as assistentes sociais perguntavam se o estudante gostava de greve ou se fazia parte de algum partido de esquerda.

Os estudantes passaram por diversos ataques. Grupos de direita que atuam como funcionários da Coseas passaram a intimidar os estudantes da moradia retomada. Arrancavam cartazes e fizeram uma ampla campanha de calúnia para isolar os estudantes.

Agora, 17 destes estudantes sofrem um processo administrativo que pode ter como resultado o desligamento permanente destes estudantes da universidade.

A acusação é baseada em decreto da ditadura militar em que um dos artigos é “247 - O Regime Disciplinar visa assegurar, manter e preservar a boa ordem, o respeito, os bons costumes e preceitos morais, de forma a garantir a harmônica convivência entre docentes e discentes e a disciplina indispensável às atividades universitárias.

O artigo prevê também a proibição de “VIII - promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares; IX - desobedecer aos preceitos regulamentares constantes dos Regimentos das Unidades, Centros, bem como dos alojamentos e residências em próprios universitários.”

Ou seja, a greve é proibida; a organização coletiva para defesa de qualquer direito. É um verdadeiro campo de concentração. Agora que estão colocados contra a parede e terão que aplicar o plano de privatização da USP, defendida por Rodas, reitor-interventor.

Além destes 17 estudantes que podem ser expulsos durante as férias, Rodas tem nas mãos a reintegração de posse do Bloco G (antiga Coseas) para ser feita também durante as férias, período em que diminui de forma significativa o número de pessoas que circulam para cidade universitária.

É necessário organizar um forte movimento de resistência de defender estas novas vagas de moradia e os estudantes que estão ameaçados de expulsão.

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