Rosa Godoy destituída

PCO online
17/04/2010, 18:00
imprimir

Reitor-interventor manobra na tentativa de encerrar ocupação

Após 22 dias de ocupação da sede da Coseas, Rodas trocou a coordenadora Rosa Godoy pelo professor titular da Faculdade de Odontologia, Waldyr Antonio Jorge. É o momento de ampliar a luta contra a burocracia universitária e o reitor-interventor

No dia 9 de abril, o reitor-interventor da USP substituiu a coordenadora da Coseas (Coordenadoria de Assistência Social, órgão responsável pela administração da moradia estudantil) pelo titular da Faculdade de Odontologia, Waldyr Antonio Jorge. A notícia foi publicada pela reitoria sem nenhuma justificativa para a nova nomeação. Não foi alegada nova política para o órgão, nem a renúncia da coordenadora, Rosa Godoy.

“O reitor da USP, João Grandino Rodas, nomeou hoje, dia 9 de abril, o professor titular da Faculdade de Odontologia, Waldyr Antonio Jorge, como novo coordenador de Assistência Social (Coseas) da Universidade. (Assessoria de Imprensa da Reitoria da USP, 9/4/2010)

A impopularidade da coordenadora que estava no cargo há 14 anos é imensa. Foi ela quem montou o plano de vigilância dos moradores atualmente em vigência. Este permitiu à reitoria aprofundar a política de repressão aos moradores e ter um controle mais rígido da vida destes. Os seguranças entregavam a ela relatórios detalhados da vida dos estudantes e ainda há documentos que mostram que obrigava estudantes a fazerem tratamento psiquiátrico para manter a vaga no alojamento. Além disso, ela e a equipe que realizava a seleção de vagas na moradia, foram denunciadas por várias irregularidades.

A ocupação pelos estudantes da sede da Coseas expôs, através de documentos, as monstruosidades e o esquema de segurança que nada deixa a desejar ao que era realizado pela ditadura militar.

Rodas revela fraqueza da reitoria

A retirada de Rosa Godoy da direção da Coseas mostra a fraqueza da reitoria. O reitor-interventor, ciente de sua enorme rejeição dentro da universidade, decidiu não bater de frente com o movimento e foi obrigado a retirar a diretora que ocupava o cargo há 14 anos.

A greve do ano passado, em que houve o enfrentamento dos estudantes com a polícia dentro da cidade universitária, alterou de maneira qualitativa a situação política. Mostrou a oposição entre a política imposta pela burocracia universitária e o governo por meio da repressão e os interesses dos estudantes.

Logo após a greve, em que os estudantes reivindicavam a saída da reitora e da PM, Serra indicou Rodas para o cargo de reitor.

Em uma “eleição” já completamente contestada pela maioria da universidade, Serra escolheu o segundo colocado nas eleições. Ficou evidente para todos que a eleição era mera fachada. Rodas já estava escolhido de antemão e deixou claro também que o governador não respeita sequer a opinião da pequena camada de professores que ele mesmo colocou para dirigir a universidade.

Este fato terminou de expor a falta de democracia dentro da universidade e a farsa que é a autonomia universitária.

A retirada de Rosa Godoy não é sequer uma concessão de Rodas aos estudantes na ocupação. Não atende nenhuma das reivindicações: “mais vagas na moradia; transparência nos processos seletivos para os programas de permanência; contratação de mais funcionários e melhoria nas condições desumanas de trabalho e atendimento nos restaurantes; fim das expulsões arbitrárias de estudantes da moradia; fim do serviço de vigilância e da prática de violência irregular da coordenadoria de assistência social; autonomia dos estudantes no espaço da moradia e nos processos seletivos para os programas de permanência; conclusão das obras do novo bloco da moradia.”

Na verdade, o que Rodas fez foi manobrar para tentar confundir os estudantes e acabar com a mobilização. É consciente que não tem força para bater de frente com movimento, como fez Suely Vilela na ocupação da reitoria em 2007. A ex-reitora decidiu enfrentar o movimento e foi liquidada. Rodas é ainda mais fraco.

Não basta tirar Rosa Godoy

Substituir a coordenadora Rosa Godoy foi a solução que Rodas encontrou para acalmar os ânimos, diante de tantas denúncias trazidas a tona com a ocupação.

Mas esta não é a reivindicação do movimento estudantil. O problema não é individual e nesse sentido substituir Rosa Godoy não vai alterar em nada a situação. A organização universitária está montada para atender aos interesses do governo e de empresários e não dos estudantes.

A ditadura imposta pela burocracia contra os estudantes é uma cartilha do governo para sufocar a luta por uma universidade a serviço da cultura e conhecimento de todos. Querem reduzir as verbas das universidades para desviar para pagamento de dívidas aos bancos e o favorecimento dos empresários da educação.

A saída de Rosa Godoy não resolve o problema das vagas, da repressão e muito menos a questão central: a de quem deve administrar a moradia.

Nenhuma conciliação com o reitor-interventor

Os estudantes não querem a enganação de Rodas, nem a intervenção do governo Serra-Goldman na USP.

Neste sentido, é necessário esclarecer a quem serve a política do diálogo.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP, a LER-QI, assim como o Bando dos Quatro (PT-PCdoB-Psol-PSTU) atuam para proteger Rodas, que está muito fraco.

Não querem denunciar e atacar o reitor-interventor. Aceitaram o chamado de Rodas ao “diálogo” sobre os problemas da universidade.

Evitam assim que a crise se aprofunde e o reitor-interventor seja derrubado pela mobilização estudantil. Funcionam como uma escora para o fraco e apodrecido governo na USP.

Pelo fim da intervenção do estado na USP

O novo coordenador da Coseas é indicado do reitor-interventor e seguirá sua política à risca. Ele não vai mudar absolutamente nada na moradia. Por isso, é necessário que os próprios estudantes que moram no CRUSP o administrem.

Ao contrário do que prega a política da esquerda pequeno burguesa, do Bando dos Quatro, na USP, agora é o momento de ampliar a mobilização. Rodas mostrou que é fraco e que não tem nenhum apoio.

Sua política é justamente a de desorganizar o movimento estudantil para impor sua ditadura sobre a universidade.

É o momento de ampliar a mobilização pelo “fora Rodas” e para acabar com a intervenção do estado na universidade, abolindo também a ditadura da burocracia universitária.

VER

rating: 0+x

Comentários

Add a New Comment
or Sign in as Wikidot user
(will not be published)
- +

Artigos relacionados

Título Origem Data
Unless otherwise stated, the content of this page is licensed under Creative Commons Attribution-ShareAlike 3.0 License