TODO APOIO A OCUPAÇÃO DO COSEAS PELOS MORADORES DO CRUSP!

Diretório Acadêmico — Unesp — Rio Claro
07/04/2010

TODO APOIO A OCUPAÇÃO DO COSEAS PELOS MORADORES DO CRUSP!

O vestibular cumpre o papel de funil social nas universidades, permitindo que a educação superior permaneça elitista. Porém, mesmo assim, alguns poucos conseguem entrar nas universidades e, pela segunda vez, têm que transpor outro funil social disputando entre eles o acesso às políticas de permanência estudantil, que vai designar quem é mais e menos pobre. Os filhos da classe trabalhadora têm que se enfrentar com uma série de exigências constrangedoras, burocracias, apresentação de muitos documentos, entrevistas, sem garantia mínima de sustento e de vaga permanente, quando não são obrigados a abandonar o curso por falta de condições para se manter em outra cidade.

A COSEAS – Coordenadoria de Assistência Social da USP foi ocupado dia 18/03/10, quinta-feira, pelos estudantes da USP, moradores do CRUSP que denunciam o histórico descaso com as políticas de permanência estudantil, como vagas e bolsas insuficientes, obras dos blocos inacabadas e atrasadas, repressão política aos moradores, terceirização e precarização das condições de trabalho nos órgãos administrados pela COSEAS.

É necessário denunciar e rechaçar a postura intransigente da COSEAS que vem perseguindo, reprimindo e chantageando os estudantes, os quais não exigem nada além de condições mínimas para estudar e têm o direito a permanência negado.

A COSEAS tem uma postura de terrorismo, intimidação, espionagem, controle e perseguição política contra os estudantes, sujeitando-os a condições humilhantes, sem direito a diálogo ou negociação, realizando um jogo sujo com a condição sócio-econômica dos estudantes, como se esta condição lhes desse o direito de agir de maneira tão arbitrária.

Esse quadro revela como pano de fundo que historicamente a universidade pública, principalmente a USP com sua estrutura de poder antidemocrática que representa uma minoria, não tem como interesse ampliar o acesso ao ensino superior, e destina recursos insuficientes para a permanência estudantil e assim acaba por excluir a juventude negra, pobre e trabalhadora, fazendo com que muitos nem tenham em perspectiva uma vaga nas públicas, trabalhando o dia inteiro para pagar as altas mensalidades nas universidades particulares.

Como confiar num processo de seleção obscuro, que não divulga seus critérios e não divulga a lista dos não classificados e classificados, persegue seus moradores, expulsa pessoas, inclusive às escondidas de madrugada, exclui as mulheres que têm filhos, possui uma estrutura que não condiz com a real necessidade dos estudantes, permite que todos os anos cerca de 500 a 800 pessoas (2008), abandonem seus cursos por não terem condições de se sustentar, isso numa das cidades mais caras de viver do país. Como confiar em Marília Zalaf, Marisa Luppi e Rosa Godoy, responsáveis pelo “Programa de ação comunitária e Segurança” que vem implementando há anos esses ataques.

A situação é a mesma na maioria das universidades brasileiras, a ampliação das vagas com o REUNI e o SISU – Sistema de Seleção Unificada do Novo ENEM de Lula, não vieram acompanhadas de aumento de investimento, de vagas, professores, bolsas e políticas de permanência. Estudantes no país inteiro abandonam suas vagas por não conseguirem o direito a permanência. Um exemplo, dentre muitos, desta cruel realidade ocorreu em 2009 na UNESP de Presidente Prudente, na qual os estudantes estavam mobilizados por melhores condições de permanência e contra as bolsas que foram cortadas e foram processados e condenados a pagar pelo processo. É assim que a burocracia acadêmica responde a reivindicações justas, com coerção e repressão.

Por isso é necessário unificar as lutas! As demandas por permanência estudantil são demandas históricas do Movimento Estudantil e não devem estar relegadas somente aos moradores das Moradias. Inclusive a construção destas lutas por dentro do M.E. tem muito mais condições de se efetivar, porque o M.E. é uma ferramenta de luta fundamental para disputar a universidade e coloca-la a serviço da classe trabalhadora e do povo pobre. Os estudantes beneficiados pelos programas de moradia e bolsas provêm da classe trabalhadora e/ou trabalham, estão mais próximos da realidade da maioria da população e, portanto, estão, ou deveriam estar, entre aqueles que mais lutam pela transformação da sociedade. Portanto, é importante construirmos juntos uma coluna classista dentro do Movimento Estudantil que lute pelo fim do vestibular que é o funil social que separa o ensino superior da juventude brasileira e pela estatização das universidades particulares, para acabar com os monopólios da educação e para que todos possam estudar.

É PRECISO DIZER UM BASTA! PERMANÊNCIA ESTUDANTIL É DIREITO E NÃO PRIVILÉGIO !

TODO APOIO A OCUPAÇÃO DO COSEAS PELOS MORADORES DO CRUSP!

AUMENTO IMEDIATO NO NÚMERO DE VAGAS NOS ALOJAMENTOS E MORADIAS! FIM DO VESTIBULAR !

ESTATIZAÇÃO DAS UNIVERSIDADES PRIVADAS! PELO FIM DO FUNIL SOCIAL! EDUCAÇÃO DE TODOS OS NÍVEIS PARA TODOS, DE QUALIDADE E GRATUITA!

AUTONOMIA ESTUDANTIL SOBRE O ESPAÇO DA MORADIA E SOBRE TODAS AS DECISÕES! MORADIA SOBRE CONTROLE DOS MORADORES!

SOLIDARIEDADE CLASSISTA! O MOVIMENTO É UM SÓ!

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