Moção de apoio da Flaskô aos estudantes da USP na luta por moradia estudantil

Conselho de Fábrica da Flaskô
31/03/2010

MOÇÃO DE APOIO DA FLASKÔ AOS ESTUDANTES DA USP NA LUTA POR MORADIA ESTUDANTIL

É com imensa solidariedade de classe que saudamos a iniciativa dos estudantes da USP em realizar a ocupação da Coordenação de Assistência Social na luta para garantir mais vagas para moradia.

Tomamos conhecimento que os moradores do CRUSP (Conjunto Residencial da USP — moradia estudantil), em Assembléia realizada no final da noite desta quarta-feira, em função da COSEAS (Coordenadoria do Serviço de Assistência Social da USP) ter encerrado unilateralmente as negociações com a AMORCRUSP (Associação dos Moradores do CRUSP) que estavam em andamento, decidiram ocupar imediatamente a COSEAS até que sejam atendidas as demandas abaixo, mas especialmente:

  1. Que todos os ingressantes que precisem e solicitaram moradia no Crusp, tenham esse direito assegurado;
  2. O fim do serviço interno de informação que monitora a vida, o comportamento e, inclusive, as atividades políticas dos moradores!
  • Diante da falta de vagas na moradia que deixou neste ano de 2010 mais de cem inscritos para alojamento emergencial sem um teto e sem condições materiais p/estudar;
  • Diante do atraso da reitoria na conclusão da obra do novo bloco da moradia que, segundo acordo, deveria estar pronto no início de 2009;
  • Diante das expulsões arbitrárias (despejo) de estudantes moradores do CRUSP sem aviso prévio, sem direito de defesa e durante a madrugada, chegando ao ponto de barrar o acesso dos despejados a qualquer um dos blocos da moradia;
  • Diante do fim do Programa Bolsa Trabalho, que deixou muitos estudantes de baixa renda sem condições de concluir seus cursos sem apoio financeiro;
  • Diante das irregularidades constatadas no processo de “seleção sócio-econômica” , realizadas pela Coordenadoria de Assistência Social da USP p/ concessão de bolsas;
  • Diante da tentativa de privatização do espaço da moradia cedido pela USP ao banco Santander sem consentimento dos estudantes e moradores do CRUSP;
  • Diante das péssimas condições a que são submetidos os trabalhadores dos restaurantes universitários administrados pela Coordenadoria de Assistência Social da USP e, principalmente dos restaurantes terceirizados por meio deste orgão e da reitoria desta universidade;
  • Considerando que a Coseas tem demonstrado por meio de suas políticas e provado, por meio de documentos (guardados a sete chaves), estar a serviço da vigilância e violência contra os moradores, por meio da elaboração de relatórios invasivos sobre a vida particular (práticas tipicas da ditadura militar);
  • Considerando, ainda, que a função de promover políticas de permanência estudantil não tem sido cumprida pela COSEAS, ao contrário, este órgão, a serviço da reitoria da USP, tem trabalhado sempre no sentido de dificultar o acesso do estudante aos programas de permanência;
  • Considerando que permanência estudantil é um direito!

Estamos com vocês, estudantes, moradores do CRUSP e candidatos sem vaga na moradia, apoiando a ocupação do espaço do térreo do bloco G, que originalmente era dos estudantes, mas estava sendo utilizado pela Coordenadoria de Assistência Social. Assim, estão certos, ao retomarem seu espaço, exigindo:

  • mais vagas na moradia!
  • transparência nos processos seletivos para os programas de permanência!
  • contratação de mais funcionários e melhoria nas condições desumanas de trabalho e atendimento nos restaurantes!
  • fim das expulsões arbitrárias de estudantes da moradia!
  • fim do serviço de vigilância e da prática de violência irregular da coordenadoria de assistência social!
  • autonomia dos estudantes no espaço da moradia e nos processos seletivos para os programas de permanência!
  • conclusão das obras do novo bloco da moradia

Sabemos que a ocupação é um ato legítimo e fundamental para a garantia de nossos direitos. Nós, na Fábrica Ocupada Flaskô, há quase sete anos, ocupamos a fábrica para garantir nossos empregos e direitos. A gestão patronal havia abandonado a fábrica. Ocupamos, resistimos e voltamos a produzir sob controle operário. E, desde então, seguimos na luta com a classe trabalhadora, combatendo pela expropriação dos meios de produção e a unidade dos trabalhadores. Conseguimos demonstrar que não precisamos de um patrão e melhoramos nossas relações de trabalho. Conseguimos reduzir a jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salários. Por isso, estamos em porta de cada fábrica em greve, em cada luta, no campo, na cidade, nas universidades, dizendo que devemos ocupar e dizer quem é que move a sociedade!

Assim, assinamos em baixo da ação e das reivindicações de vocês, e contem conosco para o que precisar.

Viva a luta operária e estudantil!

Moção aprovada no Conselho de Fábrica da Flaskô
31 de março de 2010
Sumaré/SP

rb.moc.oohay|oksalfoacazilibom#rb.moc.oohay|oksalfoacazilibom
http://www.fabricasocupadas.org.br

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