Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – Enecos

Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – Enecos
24/03/2010

Manifestação de Apoio

A Enecos — Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social — vem a público declarar o seu apoio ao movimento de ocupação na Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) da USP, realizado pelos estudantes residentes do campus da capital, no bairro do Butantã. Entendemos que a ocupação é um método legítimo de luta e que deve ser apoiada pelo conjunto do movimento que luta por liberdade e democracia.

Há quase 80 anos, a Universidade de São Paulo (USP) foi criada pela elite paulista para si mesma, sem nunca ter tido a menor preocupação com a ampla democratização de seu acesso. Ao longo dos anos e a partir das lutas travadas pelos estudantes, as políticas de permanência estudantil foram conquistadas, mas ainda longe das reais necessidades dos estudantes oriundos da classe trabalhadora que conseguem furar o bloqueio elitista que é o vestibular.

A própria história da assistência estudantil na USP está pautada nas ocupações, e agora não pode ser diferente. Na década de 60, o CRUSP foi invadido pelo exército na ditadura e transformado em escritórios, e até mesmo em sede de departamentos, retomado após novas ocupações, em 1979.

Num momento em que o governador José Serra aprofunda o desmonte da educação pública com o ensino a distância do Univesp e com a expansão demagógica das universidades estaduais e do Centro Paula Souza, a partir da lógica do mercado, as políticas de permanência estudantil são jogadas à margem, relegadas a meros gastos que devem ser enxugados pela burocracia acadêmica. Enquanto isso, a demanda por moradia dos tradicionais campi da USP não suprem a necessidade dos estudantes e os novos campi da Zona Leste e de Lorena sequer terão essa possibilidade.

Para piorar, a política tucana para os estudantes vindos da classe trabalhadora é de vigilância. Os moradores dos apartamentos e alojamentos são, cotidianamente, vigiados em suas atividades políticas e vida pessoal. Moradores sofrem assédio moral de alguns funcionários do Coseas, seja nas entrevistas ou mesmo no trato cotidiano, o que implica em prejudicar o próprio rendimento acadêmico, muitas vezes forçando o abandono da moradia. Além dos estudantes, trabalhadores do Coseas também sofrem com os desmandos da coordenadora Rosa Godoy. Por falta de concurso público, normalmente os funcionários exercem trabalho dobrado, sofrem de LER e outras doenças ocupacionais, e ameaças de terceirização.

Por tudo isso, a Enecos apóia a luta e ajuda na divulgação do movimento de ocupação, por defender a expansão das vagas do Coseas. A Executiva também reivindica a autonomia dos estudantes participarem do processo seletivo, o fim da vigilância da vida pessoal e política dos moradores do Crusp, a contratação de funcionários nos setores de moradia via concurso público, a alimentação e manutenção de acordo com as necessidades.

São Paulo, 24 de março de 2010
Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – Enecos
Regional São Paulo
Gestão “Aos Que Virão”

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